Canção desconhecida de meninos e meninas III
Acordou de manhã e a garota estava ao seu lado. O cheiro de cigarro emanava do interior de sua alma. Compreendeu porque havia sonhado com incêndios. Quando conseguiu discernir alguma coisa em meio à bruma cerebral que segue o instante do despertar, percebeu que aquela não era a sua casa. Tentou lembrar do que acontecera na noite passada, mas foi impossível. Sua cabeça latejou dizendo que ele havia bebido demais. Ficou ali parado por algum tempo observando a garota dormir aconchegada em seu peito. Ela abriu os olhos lentamente. Tinha lindos olhos azuis, embora parecessem meio frios:
- Bom dia, quando você sair tranque a porta e jogue a chave por baixo, sim?
Ele nem precisou falar nada. A garota sacava das coisas. Sabia que era mais fácil deste jeito. Provavelmente também não lembrava do que tinha acontecido na noite anterior. Beijou-a carinhosamente e disse meio sem jeito:
- Muito prazer em conhecê-la.
Levantou e vestiu as roupas sob um olhar atento. Os olhos azuis revelavam confiança e preguiça matinal ao mesmo tempo.
Quando fechou a porta e ganhou a calçada, o sol da manhã quase o deixou cego. Jogou os restos do pacote de camisinhas na lixeira e pensou que na verdade nem havia conhecido aquela garota. A vida era estranha e tinha gosto bom. Mas os muros da cidade eram muito altos. |